quinta-feira, 6 de agosto de 2009
O porteiro do prostíbulo
Não havia no povoado pior ofício do que 'porteiro do prostíbulo'.
Mas que outra coisa poderia fazer aquele homem? O fato é que nunca tinha
aprendido a ler nem escrever, não tinha nenhuma outra atividade ou ofício.
Um dia, entrou como gerente do prostíbulo um jovem cheio de idéias,
criativo e empreendedor, que decidiu modernizar o estabelecimento.
Fez mudanças e chamou os funcionários para as novas instruções. Ao
porteiro disse:
-- A partir de hoje, o Senhor, além de ficar na portaria, vai preparar
um relatório semanal onde registrará quantidade de pessoas que entram
e seus comentários e reclamações sobre os serviços.
-- Eu adoraria fazer isso, Senhor - balbuciou - mas eu não sei ler
nem escrever!
-- Ah! Quanto eu sinto! Mas se é assim, já não poderá seguir trabalhando
aqui.
-- Mas Senhor, não pode me despedir, eu trabalhei nisto a minha vida
inteira, não sei fazer outra coisa.
-- Olhe, eu compreendo, mas não posso fazer nada pelo Senhor. Vamos
dar-lhe uma boa indenização e espero que encontre algo que fazer. Eu
sinto muito e que tenha sorte.
Sem mais nem menos, deu meia volta e foi embora.
O porteiro sentiu como se o mundo desmoronasse. Que fazer? Lembrou que
no prostíbulo, quando quebrava alguma cadeira ou mesa, ele a arrumava,
com cuidado e carinho.
Pensou que esta poderia ser uma boa ocupação até conseguir um emprego. Mas
só contava com alguns pregos enferrujados e um alicate mal conservado.
Usaria o dinheiro da indenização para comprar uma caixa de ferramentas
completa. Como o povoado não tinha casa de ferragens, deveria viajar dois
dias em uma mula para ir ao povoado mais próximo para realizar a compra.
E assim o fez. No seu regresso, um vizinho bateu à sua porta:
-- Venho para perguntar se você tem um martelo para me emprestar.
-- Sim, acabo de comprá-lo, mas eu preciso dele para trabalhar ... já que...
-- Bom, mas eu o devolverei amanhã bem cedo.
-- Se é assim, está bom.
Na manhã seguinte, como havia prometido, o vizinho bateu à porta e disse:
-- Olha, eu ainda preciso do martelo. Porque você não o vende para mim?
-- Não, eu preciso dele para trabalhar e além do mais, a casa de ferragens
mais próxima está há dois dias mula de viagem.
-- Façamos um trato - disse o vizinho. Eu pagarei os dias de ida e volta
mais o preço do martelo, já que você está sem trabalho no momento. Que
lhe parece?
Realmente, isto lhe daria trabalho por mais dois dias ...aceitou.
Voltou a montar na sua mula e viajou. No seu regresso, outro vizinho o
esperava na porta de sua casa.
-- Olá, vizinho. Você vendeu um martelo a nosso amigo. Eu necessito de
algumas ferramentas, estou disposto a pagar-lhe seus dias de viagem,
mais um pequeno lucro para que você as compre para mim, pois não disponho
de tempo para viajar para fazer compras . Que lhe parece?
O ex-porteiro abriu sua caixa de ferramentas e seu vizinho escolheu um
alicate, uma chave de fenda, um martelo e uma talhadeira.
Pagou e foi embora.
E nosso amigo guardou as palavras que escutara:
-- Não disponho de tempo para viajar para fazer compras.
Se isto fosse certo, muita gente poderia necessitar que ele viajasse para
trazer as ferramentas. Na viagem seguinte, arriscou um pouco mais de
dinheiro trazendo mais ferramentas do que as que havia vendido. De fato,
poderia economizar algum tempo em viagens. A notícia começou a se espalhar
pelo povoado e muitos, querendo economizar a viajem, faziam encomendas.
Agora, como vendedor de ferramentas, uma vez por semana viajava e trazia o
que precisavam seus clientes. Com o tempo, alugou um galpão para estocar
as ferramentas e alguns meses depois, comprou uma vitrine e um balcão
e transformou o galpão na primeira loja de ferragens do povoado. Todos
estavam contentes e compravam dele. Já não viajava, os fabricantes lhe
enviavam seus pedidos. Ele era um bom cliente.
Com o tempo, as pessoas dos povoados vizinhos preferiam comprar na sua
loja de ferragens, do que gastar dias em viagens.
Um dia ele lembrou de um amigo seu que era torneiro e ferreiro e pensou
que este poderia fabricar as cabeças dos martelos..
E logo, por que não, as chaves de fendas, os alicates, as talhadeiras,
etc.. E após foram os pregos e os parafusos....
Em poucos anos, nosso amigo se transformou, com seu trabalho, em um rico
e próspero fabricante de ferramentas. Um dia decidiu doar uma escola
ao povoado. Nela, além de ler e escrever, as crianças aprenderiam
algum ofício. No dia da inauguração da escola, o prefeito lhe entregou
as chaves da cidade, o abraçou e lhe disse:
-- É com grande orgulho e gratidão que lhe pedimos que nos conceda a
honra de colocar a sua assinatura na primeira página do Livro de Atas
desta nova escola.
-- A honra seria minha - disse o homem. Seria a coisa que mais me daria
prazer, assinar o Livro, mas eu não sei ler nem escrever, sou analfabeto.
-- O Senhor?!?! - disse o prefeito sem acreditar. O Senhor construiu
um império industrial sem saber ler nem escrever? Estou abismado.
Eu pergunto: o que teria sido do Senhor se soubesse ler e escrever?
-- Isso eu posso responder - disse o homem com calma. Se eu soubesse
ler e escrever ... ainda seria o porteiro do prostíbulo!
Geralmente as mudanças são vistas apenas como adversidades..
As adversidades podem ser benefícios.
As crises estão cheias de oportunidades.
Se alguém lhe bloquear a porta, não gaste energia com o confronto;
procure as janelas.
terça-feira, 21 de julho de 2009
O Poder da Validação
Todo mundo é inseguro, sem exceção. Os super confiantes simplesmente
disfarçam melhor. Não escapam pais, professores, chefes, nem colegas de
trabalho. Afinal, ninguém é de ferro. Paulo Autran treme nas bases nos
primeiros minutos de cada apresentação, mesmo que a peça já tenha sido
encenada 500 vezes. Só depois da primeira risada, da primeira reação do
público, é que o ator relaxa e parte tranqüilo para o resto do espetáculo.
Eu, para ser absolutamente sincero, fico inseguro a cada artigo que
escrevo e corro desesperado para ver os primeiros e-mails que chegam.
Insegurança é o problema humano número 1. O mundo seria muito menos
neurótico, louco e agitado se fôssemos todos um pouco menos inseguros.
Segurança não depende da gente, depende dos outros.
Está totalmente fora do nosso controle. Por isso segurança nunca
é conquistada definitivamente, ela é sempre temporária, efêmera.
Segurança depende de um processo que chamo de "validação", embora para
os estatísticos o significado seja outro.
Validação estatística significa certificar-se de que um dado ou informação
é verdadeiro, mas eu uso esse termo para seres humanos. Validar alguém
seria confirmar que essa pessoa existe, que ela é real, verdadeira,
que ela tem valor. Todos nós precisamos ser validados pelos outros,
constantemente.
Alguém tem de dizer que você é bonito ou bonita, por mais bonito ou
bonita que você seja. O autoconhecimento, tão decantado por filósofos,
não resolve o problema. Ninguém pode autovalidar-se, por definição.
Validar o outro significa confirmá-lo, como dizer: "Você tem significado
para mim". Validar é o que um namorado ou namorada faz quando lhe diz:
"Amo você!".
Quem cunhou a frase "Por trás de um grande homem existe uma grande mulher"
(e vice-versa) provavelmente estava pensando nesse poder de validação
que só uma companheira amorosa e presente no dia-a-dia poderá dar.
Um simples olhar, um sorriso, um singelo elogio são suficientes para você
validar todo mundo. Estamos tão preocupados com a própria insegurança
que não temos tempo para sair validando os outros.
ESTAMOS TÃO PREOCUPADOS EM MOSTRAR QUE SOMOS O "MÁXIMO" que esquecemos
de dizer aos nossos amigos, filhos e cônjuges que o "MÁXIMO" são ELES.
Por falta de validação, criamos um mundo consumista, onde se valoriza o
"ter" e não o "ser".
Por falta de validação, criamos um mundo onde todos querem mostrar-se ou
dominar os outros em busca de poder. Validação permite que pessoas sejam
aceitas pelo que realmente são e não pelo que gostaríamos que fossem.
Mas, justamente graças à validação, elas começarão a acreditar em si
mesmas e crescerão para ser o que queremos.
Se quisermos tornar o mundo menos inseguro e melhor, precisaremos treinar
e exercitar uma nova competência: validar alguém todo dia. Um elogio
certo, um sorriso, os parabéns na hora certa, uma salva de palmas,
um beijo, um dedão polegar para cima, um "valeu cara, valeu".
Stephen Kanitz
quinta-feira, 9 de julho de 2009
O Anel...
- Venho aqui, professor, porque me sinto tão pouca coisa, que não tenho forças para fazer nada. Dizem-me que não sirvo para nada, que não faço nada bem, que sou lerdo e muito idiota. Como posso melhorar? O que posso fazer para que me valorizem mais?
O professor sem olhá-lo, disse:
- Sinto muito meu jovem, mas não posso te ajudar, devo primeiro resolver meu próprio problema. Talvez depois.
E fazendo uma pausa falou:
- Se você me ajudasse, eu poderia resolver este problema com mais rapidez e depois talvez possa te ajudar.
- C... Claro, professor - gaguejou o jovem.
Mas se sentiu outra vez desvalorizado e hesitou em ajudar seu professor. O professor tirou um anel que usava no dedo pequeno e deu ao garoto e disse:
- Monte no cavalo e vá até o mercado. Devo vender esse anel porque tenho que pagar uma dívida. É preciso que obtenhas pelo anel o máximo possível, mas não aceite menos que uma moeda de ouro. Vá e volte com a moeda o mais rápido possível.
O jovem pegou o anel e partiu. Mal chegou ao mercado começou a oferecer o anel aos mercadores. Eles olhavam com algum interesse, até quando o jovem dizia o quanto pretendia pelo anel. Quando o jovem mencionava uma moeda de ouro, alguns riam, outros saiam sem ao menos olhar para ele, mas só um velhinho foi amável a ponto de explicar que uma moeda de ouro era muito valiosa para comprar um anel.
Tentando ajudar o jovem, chegaram a oferecer uma moeda de prata e uma xícara de cobre, mas o jovem seguia as instruções de não aceitar menos que uma moeda de ouro e recusava as ofertas.
Depois de oferecer a jóia a todos que passaram pelo mercado, abatido pelo fracasso montou no cavalo e voltou. O jovem desejou ter uma moeda de ouro para que ele mesmo pudesse comprar o anel, assim livrando a preocupação de seu professor e assim podendo receber ajuda e conselhos. Entrou na casa e disse:
- Professor, sinto muito, mas é impossível conseguir o que me pediu. Talvez pudesse conseguir 2 ou 3 moedas de prata, mas não acho que se possa enganar ninguém sobre o valor do anel.
- Importante o que disse meu jovem - contestou sorridente - devemos saber primeiro o valor do anel. Volte a montar no cavalo e vá até o joalheiro. Quem melhor para saber o valor exato do anel? Diga que quer vender o anel e pergunte quanto ele te dá por ele. Mas não importa o quanto ele te ofereça, não o venda. Volte aqui com meu anel.
O jovem foi até o joalheiro e lhe deu o anel para examinar. O joalheiro examinou o anel com uma lupa, pesou o anel e disse:
- Diga ao seu professor, se ele quer vender agora, que não posso dar mais que 58 moedas de ouro pelo anel.
- 58 MOEDAS DE OURO!!! - exclamou o jovem.
- Sim, replicou o joalheiro, eu sei que com tempo eu poderia oferecer cerca de 70 moedas, mas se a venda é urgente...
O jovem correu emocionado à casa do professor para contar o que ocorreu.
- Senta - disse o professor. E depois de ouvir tudo que o jovem lhe contou disse:
- Você é como esse anel, uma jóia valiosa e única. E que só pode ser avaliada por um expert. Pensava que qualquer um poderia descobrir o seu verdadeiro valor???
E dizendo isso voltou a colocar o anel no dedo.
- Todos somos como esta jóia. Valiosos e únicos e andamos por todos os mercados da vida pretendendo que pessoas inexperientes nos valorizem. Ninguém pode te fazer sentir inferior sem seu consentimento.
Maktub
domingo, 7 de junho de 2009
Maneiras diferentes de se ver a vida...
Onde você vê um obstáculo,
alguém vê o término da viagem
e o outro vê uma chance de crescer.
Onde você vê um motivo pra se irritar,
Alguém vê a tragédia total
E o outro vê uma prova para sua paciência.
Onde você vê a morte,
Alguém vê o fim
E o outro vê o começo de uma nova etapa...
Onde você vê a fortuna,
Alguém vê a riqueza material
E o outro pode encontrar por trás de tudo, a dor e a miséria total.
Onde você vê a teimosia,
Alguém vê a ignorância,
Um outro compreende as limitações do companheiro,
percebendo que cada qual caminha em seu próprio passo.
E que é inútil querer apressar o passo do outro,
a não ser que ele deseje isso.
Cada qual vê o que quer, pode ou consegue enxergar.
"Porque eu sou do tamanho do que vejo.
E não do tamanho da minha altura."
Fernando Pessoa
sábado, 28 de fevereiro de 2009
O medo causado pela inteligência
Quando Winston Churchill, ainda jovem, acabou de pronunciar seu discurso de estréia na Câmara dos Comuns, foi perguntar a um velho parlamentar, amigo de seu pai, o que tinha achado do seu primeiro desempenho naquela assembléia de vedetes políticas.
O velho pôs a mão no ombro de Churchill e disse, em tom paternal:
-- Meu jovem, você cometeu um grande erro. Foi muito brilhante neste seu primeiro discurso na Casa. Isso é imperdoável ! Devia ter começado um pouco mais na sombra. Devia ter gaguejado um pouco. Com a inteligência que demonstrou hoje, deve ter conquistado, no mínimo, uns trinta inimigos. O talento assusta".
Ali estava uma das melhores lições de abismo que um velho sábio pôde dar ao pupilo que se iniciava numa carreira difícil.
Isso, na Inglaterra.
Imaginem aqui, no Brasil.
Não é demais lembrar a famosa trova de Ruy Barbosa:
"Há tantos burros mandando em homens de inteligência,que, às vezes, fico pensando que a burrice é uma Ciência".
A maior parte das pessoas encasteladas em posições políticas é medíocre e tem um indisfarçável medo da inteligência. Temos de admitir que, de um modo geral, os medíocres são mais obstinados na conquista de posições.
Sabem ocupar os espaços vazios deixados pelos talentosos displicentes que não revelam o apetite do poder.
Mas, é preciso considerar que esses medíocres ladinos, oportunistas e ambiciosos, têm o hábito de salvaguardar suas posições conquistadas com verdadeiras muralhas de granito por onde talentosos não conseguem passar.
Em todas as áreas encontramos dessas fortalezas estabelecidas, as panelinhas do arrivismo, inexpugnáveis às legiões dos lúcidos. Dentro desse raciocínio, que poderia ser uma extensão do "Elogio da Loucura", de Erasmo de Roterdan, somos forçados a admitir que uma pessoa precisa fingir de burra se quiser vencer neste grupos de mediocres .
É pecado fazer sombra a alguém até numa conversa social. Assim como um grupo de senhoras burguesas bem casadas boicota, automaticamente, a entrada de uma jovem mulher bonita no seu círculo de convivência,por medo de perder seus maridos, também os encastelados medíocres se fecham como ostras, à simples aparição de um talentoso jovem que os possa ameaçar.
Eles conhecem bem suas limitações, sabem como lhes custa desempenhar tarefas que os mais dotados realizam com uma perna nas costas... Enfim, na medida em que admiram a facilidade com que os mais lúcidos resolvem problemas, os medíocres os repudiam para se defender.
É um paradoxo angustiante !
Infelizmente, temos de viver segundo essas regras absurdas que transformam a inteligência numa espécie de desvantagem perante a vida. Como é sábio o velho conselho de Nelson Rodrigues...
Finge-te de idiota, e terás o céu e a terra".
O problema é que os inteligentes gostam de brilhar!
Que Deus nos proteja, então, dos medíocres!...
- Filho querido, sei muito bem o que é isso.. Beijo com amor...
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Círculo dos 99
Era uma vez um Rei muito triste; que tinha um pajem, que como todo pajem de um Rei triste, era muito feliz. Todas as manhãs, o pajem chegava com o desjejum do seu Amo, sempre rindo e cantarolando alegres canções. O sorriso sempre desenhado em seu rosto, e a atitude para com a vida sempre serena e alegre. Um dia o Rei mandou chamá-lo:
-- Pajem - disse o Rei - qual é o seu segredo?
-- Qual segredo, Alteza?
-- Qual o segredo da tua alegria?
-- Não existe nenhum segredo, Majestade.
-- Não minta, pajem...bem sabes que já mandei cortar muitas cabeças por ofensas menores do que a sua mentira!
-- Mas não estou mentindo! Não guardo nenhum segredo.
-- E por que estás sempre alegre e feliz?
-- Majestade, eu não tenho razões para estar triste: muito me honra servir à Vossa Alteza, tenho minha esposa e meus filhos, e vivemos na casa que a Corte nos concedeu; somos vestidos e alimentados, e sempre recebo algumas moedas de prata para satisfazer alguns gostos... como não estar feliz?
-- Se você não me disser agora mesmo qual é o seu segredo, mandarei decapitá-lo - disse o Rei. Ninguém pode ser feliz por essas razões que você me deu!
-- Mas Majestade, não há nenhum segredo... Nada me satisfaria mais do que sanar a Vossa curiosidade, mas realmente não há nada que eu esteja escondendo.
-- Vá embora daqui antes que eu chame os guardas.
O pajem sorriu, fez a habitual reverência e deixou o Rei em seus pensamentos. O Rei estava como louco. Não podia entender como o pajem poderia ser feliz vivendo em uma casa que não lhe pertencia, usando roupas de terceira mão e se alimentando dos restos dos cortesãos. Quando se acalmou mandou chamar o mais sábio de seus conselheiros, e lhe contou a conversa que tivera com o pajem pela manhã.
-- Sábio, por que ele é feliz?
-- Ah, Majestade! O que acontece é que ele está fora do Círculo...
-- Fora do Círculo?
-- Sim.
-- E é isso o que faz dele uma pessoa feliz?
-- Não, Majestade. Isso é o que não o faz infeliz...
-- Vejamos se entendo: estar no Círculo sempre nos faz infelizes?
-- Exato.
-- E como ele saiu desse tal Círculo?
-- Ele nunca entrou.
-- Nunca entrou? Mas que Círculo é esse?
-- É o Círculo dos 99...
-- Realmente não entendo nada do que você me diz.
-- A única maneira para que Vossa Alteza entenda seria mostrando pelos fatos.
-- Como?
-- Fazendo com que ele entre no Círculo.
-- Isso! Então o obrigarei a entrar!
-- Não, Alteza, ninguém pode ser obrigado a entrar...
-- Então teremos que enganá-lo?
-- Não será necessário... se lhe dermos a oportunidade, ele entrará por si mesmo.
-- Por si mesmo? Mas ele não notará que isso acarretará sua infelicidade?
-- Sim, mas mesmo assim entrará... Não poderá evitar!
-- Me diz que ele saberá que isso será o passo para a infelicidade e que mesmo assim entrará?
-- Sim. O senhor está disposto a perder um excelente pajem para compreender a estrutura do Círculo? -Sim.
-- Então nesta noite passarei a buscar-lhe. Deves ter preparada uma bolsa de couro com 99 moedas de ouro. Mas devem ser exatas 99, nem uma a mais, nem uma a menos.
-- O que mais? Devo levar escolta para proteger-nos?
-- Nada mais do que a bolsa de couro, Majestade...
-- Então vá. Nos vemos à noite.
Assim foi... Nessa noite o sábio buscou o Rei e juntos foram até os pátios do Palácio. Se esconderam próximo à casa do pajem, e lá aguardaram o primeiro sinal. Quando dentro da casa se acendeu a primeira vela, o sábio pegou a bolsa de couro e junto a ela atou um papel que dizia as seguintes palavras: "Este tesouro é teu. É o prêmio por ser um bom homem. Aproveite e não conte a ninguém como encontrou esta bolsa". Logo deixou a bolsa com o bilhete na porta da pajem. Golpeou uma vez e correu para esconder-se. Quando o pajem abriu a porta, o sábio e o Rei espiavam por entre as árvores para verem o que aconteceria. O pajem viu o embrulho à sua porta, olhou para os lados, leu o papel, agitou a bolsa e, ao escutar o som metálico, estremeceu dos pés à cabeça, apertou a bolsa contra o peito e rapidamente entrou em sua casa. O Rei e o sábio se aproximaram então da janela para presenciar a cena. O pajem havia despejado todo o conteúdo da bolsa sobre a mesa, deixando somente a vela para
iluminar. Havia se sentado e seus olhos não podiam crer no que estavam vendo...Era uma montanha de moedas de ouro! Ele, que nunca havia tocado em uma dessas, de repente tinha um mote delas...Ele as tocava e amontoava, acariciava e fazia brilhar à luz da vela. Juntava e esparramava, fazendo pilhas... E assim, brincando, começou a fazer pilhas de 10 moedas. Uma, duas, três, 4, 5.... e enquanto isso somava 10, 20, 30, 40, 50... até que formou a última pilha... 99 moedas? Seu olhar percorreu a mesa primeiro, buscando uma moeda a mais, logo o chão e finalmente a bolsa. "Não pode ser" . pensou. Pôs a última pilha ao lado das outras 9 e notou que realmente esta era mais baixa.
-- Me roubaram! Me roubaram . gritou. Uma vez mais procurou por todos os cantos, mas não encontrou o que achava estar faltando...Sobre a mesa, como que zombando dele, uma montanha resplandecia e lhe fazia lembrar que haviam SOMENTE 99 moedas."99 moedas... é muito dinheiro" . pensou.
-- "Mas falta uma... Noventa e nove não é um número completo. 100 é, mas 99 não..."
O Rei e o sábio espiavam pela janela e viam que a cara do pajem já não era mais a mesma: ele estava com as sobrancelhas franzidas, a testa enrugada, os olhos pequenos e o olhar perdido... sua boca era uma enorme fenda, por onde apareciam os dentes que rangiam. O pajem guardou as moedas na bolsa, jogou o papel na lareira e olhando para todos os lados e constatar que ninguém havia presenciado a cena, escondeu a bolsa por entre a lenha. Pegou papel e pena e sentou-se a calcular. Quanto tempo teria que economizar para poder obter a moeda de número 100? O tempo todo o pajem falava em voz alta, sozinho...Estava disposto a trabalhar duro até conseguir. Depois, quem sabe, não precisaria mais trabalhar... com 100 moedas de ouro ninguém precisa trabalhar. Finalizou os cálculos. Se trabalhasse e economizasse seu salário e mais algum extra que recebesse, em 11 ou 12 anos conseguiria o necessário para comprar a última moeda." Mas 12 anos é tempo demais... Se eu pedisse à minha esposa que
procurasse um emprego no vilarejo, e se eu mesmo trabalhasse à noite, em 7 anos conseguiríamos" - concluiu depois de refazer os cálculos.
"Mesmo sendo muito tempo, é isso o que teremos que fazer..."
O Rei e o sábio voltaram ao Palácio. Finalmente o pajem havia entrado para o Círculo dos 99!!! Durante os meses seguintes, o pajem seguiu seus planos conforme havia decidido naquela noite. Numa manhã, entrou nos aposentos reais com passos fortes, batendo nas portas, rangendo dentes e bufando com todo o mau humor típico dos últimos tempos...
-- O que lhe acontece, pajem? - perguntou o Rei de bom grado.
-- Nada, não acontece nada...
-- Antigamente, não faz muito, você ria e cantava o tempo todo...
-- Faço ou não o meu trabalho? O que Vossa Alteza esperava? Que além de pajem sou obrigado a estar sempre bem por que assim o deseja?
Não se passou muito e o Rei despediu o seu pajem, afinal, não era nada agradável para um Rei triste ter um pajem mau humorado o tempo todo...
Você, Eu e todos ao redor fomos educados nessa psicologia: sempre falta algo para estarmos completos, e somente completos podemos gozar do que temos. Portanto, nos ensinaram que a Felicidade deve esperar até estar completa com aquilo que falta. E como sempre falta algo, a idéia volta ao início e nunca se pode desfrutar plenamente da vida.
Mas, o que aconteceria se a Iluminação chegasse às nossas vidas e nos déssemos conta, assim, de repente, que nossas 99 moedas são os nossos 100%? Que nada nos faz falta? Que ninguém tomou aquilo que é nosso? Que não se é mais feliz por ter 100 e não 99 moedas? Que tudo é uma armadilha posta à nossa frente para que estejamos sempre cansados, mau humorados, desanimados, infelizes? Uma armadilha que nos faz empurrar cada vez mais e ainda assim tudo continue igual... eternamente iguais e insatisfeitos....
Quantas coisas mudariam se pudéssemos desfrutar de nosso tesouro tal como é! Se este é o seu problema, a solução para sua vida está em saber valorizar o que você tem ao seu redor, e não lamentar-se por aquilo que não tem ou que poderia ter...
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
A voz do silêncio
O silêncio na hora certa vale ouro. Ele pode falar mais que mil palavras, dar mil conselhos e evitar uma situação constrangedora.
Temos o hábito de falar demais e nos esquecemos que não há retorno para o que foi dito.
Muitas vezes quando não falamos acabamos dizendo muito.
Quando há atrito entre duas ou mais pessoas e elas não conseguem se conter, acabam por dizer coisas que, de maneira refletida, não diriam.
Uma discussão é como uma fogueira e as palavras são o vento que aviva a brasa; quanto mais se fala, mais a brasa arde; quanto mais as pessoas dizem nessa situação, menos refletem e acabam por alterar a voz, de maneira que no fim das contas o que se ouve são gritos.
Quantas e quantas pessoas não estragam uma relação só porque não souberam a hora certa de falar e a de calar!
Quantos desentendimentos porque, querendo se comunicar, acabaram simplesmente cortando a comunicação com palavras vazias e irrefletidas!
Quando falamos rápido demais, corremos o risco de dizer o que não diríamos se tivéssemos pensado duas vezes.
Magoamos assim as pessoas e nos magoamos.
O arrependimento que vem em seguida não apaga as palavras, não corrige os erros e deveria nos servir de lição... o que nem sempre acontece!
Poderíamos aprender a contar até 10 ou mesmo 100 antes de responder bruscamente a algo que nos afetou.
A resposta não será certamente a mesma depois de passado um tempo.
Mas para as pessoas que não conseguem se conter numa discussão, o melhor é o afastamento temporário.
É muito melhor pensar sem falar que falar sem pensar.
Uma boa noite de sono pode ser excelente para acalmar.
Costuma-se dizer que a noite dá conselhos. Penso que, sobretudo, ela nos dá a oportunidade de, sozinhos, colocar em ordem nossa cabeça.
Pensar duas vezes antes de falar, sim.
Mesmo três ou dez se necessário.
Ficar em silêncio quando a melhor resposta é o silêncio é dar ao outro a chance de pensar um pouco sobre a situação.
Em muitas brigas onde as palavras correm como as águas do rio, freqüentemente chegam a discussão coisas que nem deveriam estar lá. Vai-se desenterrando o passado com palavras e lembranças e isso ao invés de ajudar o presente, só piora.
Às vezes a melhor resposta é o silêncio, desde que não seja prolongado o bastante para cortar a comunicação.
Ficar dias sem falar com uma pessoa só porque esta está em desacordo com nossa opinião é imaturo.
Uma noite é e deve ser o suficiente para que duas pessoas possam se olhar de frente e conversar como adultos.
Isso faz parte da maturidade.
Pessoas maduras chegam na hora certa e partem na hora certa nos encontros marcados da vida.
Dizem o que deve ser dito e ouvem caladas.
Pensam seriamente no que o outro diz sem ficar obstinadas com as próprias idéias.
Elas se comunicam, dão e recebem.
Crescem em sabedoria e contribuem para que o mundo seja um lugar mais agradável de se estar.
O Último Dia de Vida
Naquela manhã, sentiu vontade de dormir mais um pouco.
Estava cansado porque na noite anterior fora deitar muito tarde.
Também não havia dormido bem.
Tinha tido um sono agitado.
Mas logo abandonou a idéia de ficar um pouco mais na cama e se
levantou, pensando na montanha de coisas que precisava fazer na
empresa.
Lavou o rosto e fez a barba correndo, automaticamente.
Não prestou atenção no rosto cansado nem nas olheiras escuras,
resultado das noites mal dormidas.
Nem sequer percebeu um aglomerado de pelos teimosos que escaparam da
lâmina de barbear.
"A vida é uma seqüência de dias vazios que precisamos preencher",
pensou enquanto jogava a roupa por cima do corpo.
Engoliu o café e saiu resmungando baixinho um "bom dia", sem
convicção.
Desprezou os lábios da esposa, que se ofereciam para um beijo de
despedida.
Não notou que os olhos dela ainda guardavam a doçura de mulher
apaixonada, mesmo depois de tantos anos de casamento.
Não entendia por que ela se queixava tanto da ausência dele e vivia
reivindicando mais tempo para ficarem juntos.
Ele estava conseguindo manter o elevado padrão de vida da família, não
estava ? Isso não bastava ?
Claro que não teve tempo para esquentar o carro nem sorrir quando o
cachorro, alegre, abanou o rabo.
Deu a partida e acelerou.
Ligou o rádio, que tocava uma canção antiga do Roberto Carlos,
"detalhes tão pequenos de nós dois..."
Pensou que não tinha mais tempo para curtir detalhes tão pequenos da
vida.
Anos atrás, gostava de assistir ao programa de Roberto Carlos nas
tardes de domingo.
Mas isso fazia parte de outra época, quando podia se divertir mais.
Pegou o telefone celular e ligou para sua filha.
Sorriu quando soube que o netinho havia dado os primeiros passos.
Ficou sério quando a filha lembrou-o de que há tempos ele não aparecia
para ver o neto e o convidou para almoçar.
Ele relutou bastante: sabia que iria gostar muito de estar com o
neto, mas não podia, naquele dia, dar-se ao luxo de sair da empresa.
Agradeceu o convite, mas respondeu que seria impossível.
Quem sabe no próximo final de semana ?
Ela insistiu, disse que sentia muita saudade e que gostaria de poder
estar com ele na hora do almoço.
Mas ele foi irredutível: realmente, era impossível.
Chegou à empresa e mal cumprimentou as pessoas.
A agenda estava totalmente lotada, e era muito importante começar logo
a atender seus compromissos, pois tinha plena convicção de que pessoas
de valor não desperdiçam seu tempo com conversa fiada.
No que seria sua hora do almoço, pediu para a secretária trazer um
sanduíche e um refrigerante diet.
O colesterol estava alto, precisava fazer um check-up, mas isso
ficaria para o mês seguinte.
Começou a comer enquanto lia alguns papéis que usaria na reunião da
tarde.
Nem observou que tipo de lanche estava mastigando.
Enquanto engolia relacionava os telefones que deveria dar, sentiu um
pouco de tontura, a vista embaçou.
Lembrou-se do médico advertindo-o, alguns dias antes, quando tivera os
mesmos sintomas, de que estava na hora de fazer um check-up.
Mas ele logo concluiu que era um mal-estar passageiro, que seria
resolvido com um café forte, sem açúcar.
Terminado o "almoço", escovou os dentes e voltou à sua mesa.
"A vida continua", pensou.
Mais papéis para ler, mais decisões a tomar, mais compromissos a
cumprir.
Nem tudo saía como ele queria.
Começou a gritar com o gerente, exigindo que este cumprisse o
prometido.
Afinal, ele estava sendo pressionado pela diretoria. Tinha de mostrar
resultados.
Será que o gerente não conseguia entender isso ?
Saiu para a reunião já meio atrasado.
Não esperou o elevador.
Desceu as escadas pulando de dois em dois degraus.
Parecia que a garagem estava a quilômetros de distância, encravada no
miolo da terra, e não no subsolo do prédio.
Entrou no carro, deu partida e, quando ia engatar a primeira marcha,
sentiu de novo o mal-estar.
Agora havia uma dor forte no peito.
O ar começou a faltar... a dor foi aumentando... o carro
desapareceu... os outros carros também...
Os pilares, as paredes, a porta, a claridade da rua, as luzes do teto,
tudo foi sumindo diante de seus olhos, ao mesmo tempo em que surgiam
cenas de um filme que ele conhecia bem.
Era como se o videocassete estivesse rodando em câmara lenta.
Quadro a quadro, ele via esposa, o netinho, a filha e, uma após outra,
todas as pessoas que mais gostava.
Por que mesmo não tinha ido almoçar com a filha e o neto ?
O que a esposa tinha dito à porta de casa quando ele estava saindo,
hoje de manhã?
Por que não foi pescar com os amigos no último feriado ?
A dor no peito persistia, mas agora outra dor começava a perturbá-lo:
a do arrependimento.
Ele não conseguia distinguir qual era a mais forte, a da coronária
entupida ou a de sua alma rasgando.
Escutou o barulho de alguma coisa quebrando dentro de seu coração, e
de seus olhos escorreram lágrimas silenciosas.
Queria viver, queria ter mais uma chance, queria voltar para casa e
beijar a esposa, abraçar a filha, brincar com o neto... queria...
queria... mas não deu tempo...
Para entender o valor de um ano: pergunte a um estudante que não
passou nos exames finais.
Para entender o valor de um mês: pergunte a uma mãe que teve um filho
prematuro.
Para entender o valor de uma semana: pergunte ao editor de uma
revista semanal.
Para entender o valor de uma hora: pergunte aos apaixonados que estão
esperando o momento do encontro.
Para entender o valor de um minuto: pergunte a uma pessoa que perdeu
o trem, ônibus ou avião.
Para entender o valor de um segundo: pergunte a uma pessoa que
sobreviveu a um acidente.
Para entender o valor de um milisegundo: pergunte a uma pessoa que
ganhou uma medalha de prata nas Olimpíadas.
O tempo não espera por ninguém.
Valorize cada momento de sua vida.
Você irá apreciá-los ainda mais se puder dividí-los com alguém
especial.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Viver não dói!
Viver não dói. O que dói é a vida que não se vive. Definitivo, como tudo o
que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que
foram sonhadas e não se cumpriram.
Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas
agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós
um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um
tempo feliz.
Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e
passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades
que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por
todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos
os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não
compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade interrompida.
Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas
as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com
um amigo, para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos
em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado
de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com
as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.
Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso:
se iludindo menos e vivendo mais.
Carlos Drummond de Andrade
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Bastar a si mesmo
Quando depositamos muita confiança ou expectativas em uma pessoa, o risco de se decepcionar é grande!
As pessoas não estão aqui para satisfazer nossas expectativas, assim como não estamos aqui para satisfazer as delas!
Temos que nos bastar!
Nos bastar sempre e, quando procurarmos estar com alguém, fazer isso cientes de que estamos juntos porque gostamos, porque queremos e nos sentimos bem; nunca por PRECISAR DE ALGUÉM!
As pessoas não se precisam!
Elas se completam... não por serem metades, mas por serem pessoas inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida!
NUNCA SE ABANDONE!!!..."
domingo, 16 de novembro de 2008
A Arte de Viver Bem
Não exija dos outros o que eles não podem lhe dar,
Mas cobre de cada um a sua responsabilidade.
Não deixe de usufruir o prazer,
Mas que não faça mal a ninguém.
Não pegue mais do que você precisa,
Mas lute pelos seus direitos.
Não olhe as pessoas só com os seus olhos,
Mas olhe-se também com os olhos delas.
Não fique ensinando sempre,
Você pode aprender muito mais.
Não desanime perante o fracasso,
Supere-se o transformando em aprendizado.
Não se aproveite de quem se esforça tanto,
Ele pode estar fazendo o que você deixou de fazer.
Não estrague um programa diferente com seu mau humor,
Descubra a alegria da novidade.
Não deixe a vida se esvair pela torneira,
Pode faltar aos outros...
O amor pode absorver muitos sofrimentos,
Menos a falta de respeito a si mesmo!
Se você quer o melhor das pessoas,
Dê o máximo de si,
Já que a vida lhe deu tanto.
Enfim, agradeça sempre,
Pois a gratidão abre
As portas do coração.
Içami Tiba
A arte de não adoecer
Se não quiser adoecer - "Fale de seus sentimentos"
Emoções e sentimentos que são escondidos, reprimidos, acabam em doenças como: gastrite, úlcera, dores lombares, dor na coluna. Com o tempo a repressão dos sentimentos degenera até em cncer. Então vamos desabafar, confidenciar, partilhar nossa intimidade, nossos segredos, nossos pecados.O diálogo, a fala, a palavra, é um poderoso remédio e excelente terapia.
Se não quiser adoecer - "Tome decisão"
A pessoa indecisa permanece na dúvida, na ansiedade, na angústia. A indecisão acumula problemas, preocupações, agressões. A história humana é feita de decisões. Para decidir é preciso saber renunciar, saber perder vantagem e valores para poder ganhar outros. As pessoas indecisas são vítimas de doenças nervosas, gástricas e problemas de pele.
Se não quiser adoecer - "Busque soluções"
Pessoas negativas não enxergam soluções e aumentam os problemas. Preferem a lamentação, a murmuração, o pessimismo. Melhor é acender o fósforo que lamentar a escuridão. Pequena é a abelha, mas produz o que de mais doce existe. Somos o que pensamos. O pensamento negativo gera energia negativa que se transforma em doença.
Se não quiser adoecer - "Não viva de aparências"
Quem esconde a realidade finge, faz pose, quer sempre dar a impressão que está bem, quer mostrar-se perfeito, bonzinho etc., está acumulando toneladas de peso... uma estátua de bronze, mas com pés de barro. Nada pior para a saúde que viver de aparências e fachadas. São pessoas com muito verniz e pouca raiz. Seu destino é a farmácia, o hospital, a dor.
Se não quiser adoecer - "Aceite-se"
A rejeição de si próprio, a ausência de auto-estima, faz com que sejamos algozes de nós mesmos. Ser eu mesmo é o núcleo de uma vida saudável. Os que não se aceitam são invejosos, ciumentos, imitadores, competitivos, destruidores. Aceitar-se, aceitar ser aceito, aceitar as críticas, é sabedoria, bom senso e terapia.
Se não quiser adoecer - "Confie"
Quem não confia, não se comunica, não se abre, não se relaciona, não cria liames profundos, não sabe fazer amizades verdadeiras. Sem confiança, não há relacionamento. A desconfiança é falta de fé em si, nos outros e em Deus.
Se não quiser adoecer - "Não viva sempre triste"
O bom humor, a risada, o lazer, a alegria, recuperam a saúde e trazem vida longa. A pessoa alegre tem o dom de alegrar o ambiente em que vive. "O bom humor nos salva das mãos do doutor". Alegria é saúde e terapia!!!!!!!!
Dr. Dráuzio Varella
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Fazer O Que Se Gosta x Gostar Do Que Se Faz
A escolha de uma profissão é o primeiro calvário de todo adolescente. Muitos
tios, pais e orientadores vocacionais acabam recomendando "fazer o que se
gosta", um conselho confuso e equivocado.
Nenhuma empresa paga profissional para fazer o que os funcionários gostam, que
normalmente é jogar futebol, ler um livro ou tomar chope na praia. Justamente,
paga-se um salário para compensar o fato de que o trabalho é essencialmente
chato.
Mesmo que você ache que gosta de algo no início de uma carreira, continuar a
gostar da mesma coisa 25 anos depois não é tão fácil assim. Os gostos mudam,
e aí você muda de profissão em profissão?
As coisas que eu realmente gosto de fazer, eu faço de graça, como organizar
o Prêmio Bem Eficiente; ou faço quase de graça, como escrever artigos para
a imprensa.
Eu duvido que os jogadores profissionais de futebol adorem acordar às 6
horas todo dia para treinar, faça sol, faça chuva. No fim de semana eles
jogam bilhar, não o futebol que tanto dizem adorar. O "ócio criativo", o
sonho brasileiro de receber um salário para "fazer o que se gosta", somente
é alcançado por alguns professores de filosofia que podem ler o que gostam
em tempo integral. Nós, a grande maioria dos mortais, teremos que trabalhar
em algo que não necessariamente gostamos, mas que precisará ser feito. Algo
que a sociedade demanda.
Toda semana recebo jovens que querem trabalhar na minha consultoria
num projeto social. "Quero ajudar os outros, não quero participar deste
capitalismo selvagem".
Nestes casos, peço para deixarem comigo seus sapatos e suas meias, e voltarem
a conversar comigo em uma semana. Normalmente nunca voltam, não demora
mais do que 30 minutos para a ficha cair. É uma arrogância intelectual que
se ensina nas universidades brasileiras e um insulto aos sapateiros e aos
trabalhadores dizer que eles não ajudam os outros. O que seria de nós se
ninguém produzisse sapatos e meias, só porque alguns membros da sociedade
só querem "fazer o que gostam?"
Quem irá retirar o lixo, que pediatra e obstetra atenderá você às 2 da
madrugada? Vocês acham que médicos e enfermeiras atendem aos sábados e
domingos porque gostam?
Felizmente para nós, os médicos, empresas, hospitais e entidades beneficentes
que realmente ajudam os outros, estão aí para fazer o que precisa ser feito,
aos sábados, domingos e feriados. Eu respeito muito mais os altruístas que
fazem aquilo que precisa ser feito, do que os egoístas que só querem "fazer
o que gostam".
Teremos então que trabalhar em algo que odiamos, condenados a uma vida
profissional chata e opressora?
A saída é aprender a gostar do que você faz, em vez de gastar anos a fio
mudando de profissão até achar o que você gosta. E isto é mais fácil do
que você pensa. Basta fazer o seu trabalho com esmero, um trabalho super
bem feito. Curta o prazer da excelência, o prazer estético da qualidade e
da perfeição.
Se quiser procurar algo, descubra suas habilidades naturais, que permitirão
fazer seu trabalho com distinção e que o colocarão à frente dos demais.
Sempre fui um perfeccionista. Fiz muitas coisas chatas na vida, mas sempre
fiz questão de fazê-las bem feitas. Sou até criticado por isto, demoro demais,
vivo brigando com quem é medíocre, reescrevo estes artigos umas 40 vezes para
o desespero dos editores, sou super exigente, comigo e com os outros. Hoje,
percebo que foi este perfeccionismo que me permitiu sobreviver à chatice da
vida, que me fez gostar das coisas chatas que tenho de fazer.
Se você não gosta do seu trabalho, tente fazê-lo bem feito. Seja o melhor
na sua área, destaque-se pela sua precisão. Você será aplaudido, valorizado,
procurado e outras portas se abrirão. Você vai começar a gostar do que faz,
vai começar até a ser criativo, inventando coisa nova, e isto é um raro prazer.
Faça o seu trabalho mal feito e você estará odiando o que faz, a sua empresa,
o seu patrão, os seus colegas, o seu país e a si mesmo. Esta é na minha
opinião, o problema número 1 do Brasil. Fazemos tudo mal feito, fazemos o
mínimo necessário, simplesmente porque não aprendemos a gostar do que temos
de fazer e não realizamos tudo bem feito, com qualidade e precisão.
Stephen Kanitz
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Ser mulher
Ser mulher é viver mil vezes em apenas uma vida, é lutar por causas perdidas e
sair sempre vencedora; é estar antes de ontem e depois de amanhã, é desconhecer
a palavra recompensa para seus atos.
Ser mulher é caminhar na dúvida cheia de certezas; é correr atrás das nuvens
num dia de sol e alcançar o sol num dia de chuva.
Ser mulher é chorar de alegria e muitas vezes sorrir com tristeza; é cancelar
sonhos em prol de terceiros, é acreditar quando ninguém mais acredita;
é esperar quando ninguém mais espera.
Ser mulher é identificar um sorriso triste e uma lágrima falsa; é ser enganada
e sempre dar mais uma chance; é cair no fundo do poço e emergir sem ajuda.
Ser mulher é estar em mil lugares de uma só vez; é fazer mil papéis ao mesmo
tempo; é ser forte e fingir que é frágil para ter um carinho.
Ser mulher é comprar, emprestar, alugar, vender sentimentos, mas jamais
dever; é construir castelos de areia, vê-los desmoronando pelas águas e
ainda assim amá-las.
Ser mulher é estender a mão a quem ainda não pediu; é doar o que ainda não
foi solicitado.
Ser mulher é não ter vergonha de chorar por amor; é saber a hora certa do fim,
é esperar sempre por um recomeço.
Ser mulher é ser mãe dos seus filhos e dos filhos dos outros e amá-los
igualmente; é ser nova quando o coração está a espera do amor, ser crescente
quando o coração está se enchendo de amor, ser cheia quando ele já está
transbordando de tanto amor e minguante quando este amor vai embora.
Ser mulher é hospedar dentro de si o sentimento de perdão; é voltar no
tempo todos os dias e viver, por poucos instantes, coisas que nunca ficaram
esquecidas.
Ser mulher é cicatrizar feridas de outros e inúmeras vezes deixar as suas
próprias feridas sangrando.
Ser mulher é saber ser super-homem quando o sol nasce e virar Cindera quando
a noite chega.
Ser mulher é, acima de tudo, um estado de espírito; é uma dádiva; é ter
dentro de si um tesouro escondido e ainda assim, dividi-lo com o mundo.
Aprendi com a primavera a deixar-me cortar e a voltar sempre inteira."
Cecília Meirelles (?)
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Hospital psiquiátrico - O teste da banheira
Durante a visita a um hospital psiquiátrico, um dos visitantes perguntou ao diretor: - Qual é o critério pelo qual vocês decidem quem precisa ser hospitalizado aqui?
Respondeu o diretor: - Nós enchemos uma banheira com água e oferecemos ao doente uma colher, um copo e um balde e pedimos que a esvazie.
De acordo com a forma que ele decida realizar a missão, nós decidimos se o hospitalizamos ou não.
- Entendi - disse o visitante - uma pessoa normal usaria o balde, que é maior que o copo e a colher.
- Não - respondeu o diretor - uma pessoa normal tiraria a tampa do ralo. O que o senhor prefere? Quarto particular ou enfermaria?
Dedicado a todos que escolheram o balde.
A vida tem muito mais opções...
E muitas das vezes são tão óbvias como o ralo, só falta enxergarmos. ..
M & M (Mude e Marque)
O cérebro humano mede o tempo por meio da observação dos movimentos.
Se alguém colocar você dentro de uma sala branca vazia, sem nenhuma
mobília,sem portas ou janelas, sem relógio... Você começará a perder a
noção do tempo.
Por alguns dias, sua mente detectará a passagem do tempo sentindo as
reações internas do seu corpo, incluindo os batimentos cardíacos, ciclos
de sono, fome, sede e pressão sanguínea.
Isso acontece porque nossa noção de passagem do tempo deriva do movimento
dos objetos, pessoas, sinais naturais e da repetição de eventos
cíclicos, como o nascer e o pôr do sol.
Compreendido este ponto, há outra coisa que você tem que considerar:
Nosso cérebro é extremamente otimizado.
Ele evita fazer duas vezes o mesmo trabalho.
Um adulto médio tem entre 40 a 60 mil pensamentos por dia.
Qualquer um de nós ficaria louco se o cérebro tivesse que processar
conscientemente tal quantidade.
Por isso, a maior parte destes pensamentos é automatizada e não aparece
no índice de eventos do dia e portanto, quando você vive uma experiência
pela primeira vez, ele dedica muitos recursos para compreender o que está
acontecendo.
É quando você se sente mais vivo.
Conforme a mesma experiência vai se repetindo, ele vai simplesmente
colocando suas reações no modo automático e 'apagando' as experiências
duplicadas.
Se você entendeu estes dois pontos, já vai compreender porque parece que
o tempo acelera, quando ficamos mais velhos e porque os Natais chegam cada
vez mais rapidamente.
Quando começamos a dirigir automóveis, tudo parece muito complicado,
nossa atenção parece ser requisitada ao máximo.
Então, um dia dirigimos trocando de marcha, olhando os semáforos, lendo
os sinais ou até falando ao celular ao mesmo tempo..
Como acontece?
Simples: o cérebro já sabe o que está escrito nas placas (você não lê
com os olhos, mas com a imagem anterior, na mente); O cérebro já sabe
qual marcha trocar (ele simplesmente pega suas experiências passadas e usa
, no lugar de repetir realmente a experiência).
Em outras palavras, você não vivenciou aquela experiência, pelo menos
para a mente.
Aqueles críticos segundos de troca de marcha, leitura de placa... São
apagados de sua noção de passagem do tempo...
Quando você começa a repetir algo exatamente igual, a mente apaga a
experiência repetida.
Conforme envelhecemos, as coisas começam a se repetir-as mesmas ruas,
pessoas, problemas, desafios, programas de televisão, reclamações..
Enfim... As experiências novas (aquelas que fazem a mente parar e pensar
de verdade, fazendo com que seu dia pareça ter sido longo e cheio de
novidades), vão diminuindo.
Até que tanta coisa se repete que fica difícil dizer o que tivemos de
novidade na semana, no ano ou, para algumas pessoas, na década.
Em outras palavras, o que faz o tempo parecer que acelera é a... ROTINA
Não me entenda mal.
A rotina é essencial para a vida e otimiza muita coisa, mas a maioria das
pessoas ama tanto a rotina que, ao longo da vida, seu diário acaba sendo
um livro de um só capítulo, repetido todos os anos.
Felizmente há um antídoto para a aceleração do tempo: M & M (Mude e
Marque).
Mude, fazendo algo diferente e marque, fazendo um ritual, uma festa ou
registros com fotos.
Mude de paisagem, tire férias com a família (sugiro que você tire
férias sempre e, preferencialmente, para um lugar Quente, um ano, e frio
no seguinte) e marque com fotos, cartões postais e cartas.
Tenha filhos (eles destroem a rotina) e sempre faça festas de aniversário
para eles, e para você (marcando o evento e diferenciando o dia).
Use e abuse dos rituais para tornar momentos especiais diferentes de
momentos usuais.
Faça festas de noivado, casamento, 15 anos, bodas disso ou daquilo,
bota-foras, participe do aniversário de formatura de sua turma, visite
parentes distantes, entre na universidade com 60 anos, troque a cor do
cabelo, deixe a barba, tire a barba, compre enfeites diferentes no Natal,
vá a shows, cozinhe uma receita nova, tirada de um livro novo.
Escolha roupas diferentes, não pinte a casa da mesma cor, faça diferente.
Beije diferente sua paixão e viva com ela momentos diferentes.
Vá a mercados diferentes, leia livros diferentes, busque experiências
diferentes.
Seja diferente.
Se você tiver dinheiro, especialmente se já estiver aposentado, vá com
seu marido, esposa ou amigos para outras cidades ou países, veja outras
culturas, visite museus estranhos, deguste pratos esquisitos.....
Em outras palavras...... V-I-V-A!!!
Porque se você viver intensamente as diferenças, o tempo vai parecer mais
longo.
E se tiver a sorte de estar casado (a) com alguém disposto (a) a viver e
buscar coisas diferentes, seu livro será muito mais longo, muito mais
interessante e muito mais v-i-v-o... Do que a maioria dos livros da vida
que existem por aí.
Cerque-se de amigos.
Amigos com gostos diferentes, vindos de lugares diferentes, com religiões
diferentes e que gostam de comidas diferentes.
Enfim, acho que você já entendeu o recado, não é?
Boa sorte em suas experiências para expandir seu tempo, com qualidade,
emoção, rituais e vida.
E S CR E VA em tAmaNhos diFeRenTes e em CorES di f E rEn tEs !
CRIE, RECORTE, PINTE, RASGUE,
MOLHE, DOBRE, PICOTE, INVENTE, REINVENTE.....
V I V A!!!!!!!!
Por Airton Luiz Mendonça
Artigo do jornal 'Estado de São Paulo
terça-feira, 28 de outubro de 2008
O Bambu Chinês
Depois de plantada a semente deste incrível arbusto, não se vê nada por
aproximadamente 5 anos, exceto um lento desabrochar de um diminuto broto
a partir do bulbo.
Durante 5 anos, todo o crescimento é subterrâneo, invisível a olho nu,
mas uma maciça e fibrosa estrutura de raiz que se estende vertical e
horizontalmente pela terra está sendo construída.
Então, no final do 5º ano, o bambu chinês cresce até atingir a altura
de 25 metros.
O escritor Stephen Covey escreveu: "Muitas coisas na vida pessoal e
profissional são iguais ao bambu chinês. Você trabalha, investe tempo,
esforço, faz tudo o que pode para nutrir seu crescimento, e às vezes
não vê nada por semanas, meses ou anos. Mas se tiver paciência para
continuar trabalhando, persistindo e nutrindo, o seu 5.º ano chegará,
e com ele virão um crescimento e mudanças que você jamais esperava..."
O bambu chinês nos ensina que não devemos facilmente desistir de nossos
projetos e de nossos sonhos. Devemos sempre procurar cultivar sempre
dois bons hábitos na vida: a Persistência e a Paciência, para alcançar
nossos sonhos.
É preciso muita fibra para chegar às alturas, e ao mesmo tempo, muita
flexibilidade para se curvar ao chão".
domingo, 19 de outubro de 2008
As Quatro Questões de Allen
Para ter sucesso verdadeiro, faça quatro perguntas para si mesmo: Por
que? Por que não? Por que não eu? Por que não agora? - James Allen
Por que...? Encontre a razão mais profunda e verdadeira para algo, e essa
razão manterá você vivo em um mundo de sonânbulos. Entenda as razões
e os motivos verdadeiros, antes de tomar uma decisão. Pergunte-se todo
o tempo: "por que devo fazer essa coisa, e não aquela? " Entenda o que
se passa dentro de você. Entenda os motivos mais profundos pelos quais
algo deve ser feito em sua empresa ou departamento, em sua comunidade,
sua equipe ou família. Por que...?. Enquanto você não tiver esclarecido
isso para si próprio, as razões sempre serão frágeis e você poderá ser
derrubado, ou derrubada, muito facilmente. Por que quero me casar com
ela? Por que quero mudar de carreira? Por que temos que mudar este
produto? Por que quero este diploma?. Enfim, encontre uma razão e
apegue-se a ela.
Por que não? O que impede você de fazer isso? Na maioria das vezes,
demoramos demais para fazer algo, simplesmente porque novas idéias
fazem a gente assumir que, se não foi feito antes, provavelmente não
deve ser feito. Será? Procure os motivos para não fazer algo. Muitas
vezes, você vai descobrir que não existe motivo real algum para não
fazer isso. Então... por que não? Pense, e responda: Por que não
romper? Por que não fundar essa empresa? Por que não escrever este
livro? Por que não ter filhos? Por que não procurar outro emprego? Por
que não fazer este curso? Por que não dar aquele telefonema? Por que
não arriscar? Pergunte-se sempre: Por que não?
Por que não eu? Se alguém tem que fazer algo, você pode ser este alguém.
Inúmeras vezes, encontramos a razão para que algo seja feito e, ao
perguntarmos "por que não?", vemos que nada impede que seja feito. A
próxima pergunta lógica: por que não eu? Sim, talvez você seja
exatamente a pessoa que deva começar isso. Alguém tem que escrever este
livro: por que não você? Alguém tem que propor este produto: por que
não você? Alguém que que defender esta idéia na câmara ou no senado:
por que não você? Alguém tem que reconciliar a família: por que não
você? Alguém tem que dar o primeiro passo: por que não você?
Por que não agora? As vezes, o melhor momento para começar algo é...
Imediatamente. Se algo tem que ser feito, se não há razão sólida para
que este algo não seja feito e se você mesmo pode fazer isso, então
vem a última pergunta: Por que não fazer isso agora? Tantas vezes na
vida, nós passamos pelas primeiras três perguntas e, então, fazemos de
conta que somos eternos... Que podemos fazer aquilo em algum momento no
futuro, quando... tivermos o diploma... os filhos tiverem crescido... a
aposentadoria chegar... P A R E. Isso é apenas uma armadilha do lado
temeroso de sua mente. Não espere o dia perfeito. O dia perfeito é
hoje. Se não hoje... quando?
Siga o conselho de James Allen: "para ter sucesso verdadeiro, faça
quatro perguntas para si mesmo: Por que? Por que não? Por que não eu?
Por que não agora?
Aldo Novak
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
NIETZSCHE: a dualidade do bem e do mal
Não é de estranhar que as ovelhas não gostem de aves predadoras, mas isso não é motivo para culpar as grandes aves predadoras de carregarem as ovelhas.
E não há nada intrinsecamente errado no argumento das ovelhas quando elas sussurram entre si, "Estas aves predadoras são más, não podemos dizer, portanto, que o oposto de ave predadora deve ser bom?".
As aves predadoras ficam um tanto intrigadas e dizem, "Não temos nada contra estas boas ovelhas; de fato, nós gostamos muito delas; nada é mais saboroso do que uma ovelha de carne macia".
FRIEDRICH NIETZSCHE, 1844-1900
"Verdade e mentira no sentido extramoral", é um trabalho publicado postumamente, onde Nietzsche associa a dualidade mau / bom com a verdade / mentira utilizando-se novamente da metáfora do rebanho (ovelhas / humanos):
"A verdade e a mentira são construções que decorrem da vida no rebanho e da linguagem que lhe corresponde.
O homem do rebanho chama de verdade aquilo que o conserva no rebanho e chama de mentira aquilo que o ameaça ou exclui do rebanho".
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Um dia o Rei teve uma idéia.
Era a primeira da vida toda, e tão maravilhado ficou com aquela idéia
azul, que não quis saber de contar aos ministros. Desceu com ela para o
jardim, correu com Ela nos gramados, brincou com ela de esconder entre
outros pensamentos, encontrando-a sempre com igual alegria, linda idéia
dele toda azul.
Brincaram até o Rei adormecer encostado numa árvore.
Foi acordar tateando a coroa e procurando a idéia, para perceber o
perigo. Sozinha no seu sono, solta e tão bonita, a idéia poderia ter
chamado a atenção de alguém.
Bastaria esse alguém pegá-la e levar. É tão fácil roubar uma idéia: Quem
jamais saberia que já tinha dono?
Com a idéia escondida debaixo do manto, o Rei voltou para o castelo.
Esperou a noite. Quando todos os olhos se fecharam, saiu dos seus
aposentos, atravessou salões, Desceu escadas, subiu degraus, até Chegar
ao Corredor das Salas do Tempo.
Portas fechadas, e o silêncio.
Que sala escolher?
Diante de cada porta o Rei parava, pensava, e seguia adiante. Até chegar
à Sala do Sono.
Abriu. Na sala acolchoada os pés do Rei afundavam até o tornozelo, o
olhar se embaraçava em gazes, cortinas e véus pendurados como teias.
Sala de quase escuro, sempre igual. O Rei deitou a idéia adormecida na
cama de marfim, baixou o cortinado, saiu e trancou a porta.
A chave prendeu no pescoço em grossa corrente. E nunca mais mexeu nela.
O tempo correu seus anos. Idéias o Rei não teve mais, nem sentiu falta,
tão ocupado estava em governar. Envelhecia sem perceber, diante dos
educados espelhos reais Que mentiam a verdade. Apenas, sentia-se mais
triste e mais só, sem que nunca mais tivesse tido vontade de brincar nos
jardins.
Só os ministros viam a velhice do Rei. Quando a cabeça ficou toda
branca, disseram-lhe que já podia descansar, e o libertaram do manto.
Posta a coroa sobre a almofada, o Rei logo levou a mão à corrente.
- Ninguém mais se ocupa de mim - dizia atravessando salões e descendo
escadas a caminho das Salas do Tempo - ninguém mais me olha. Agora posso
buscar minha Linda idéia e guardá-la só para mim.
Abriu a porta, levantou o cortinado.
Na cama de marfim, a idéia dormia azul como naquele dia.
Como naquele dia, jovem, tão jovem, uma idéia menina. E linda. Mas o Rei
não era mais o Rei daquele dia.
Entre ele e a idéia estava todo o tempo passado lá fora, o tempo todo
parado na Sala do Sono. Seus olhos não viam na idéia a mesma graça.
Brincar não queria, nem Rir. Que fazer com ela? Nunca mais saberiam
estar juntos como naquele dia.
Sentado na beira da cama o Rei chorou suas duas últimas lágrimas, as que
tinha guardado para a maior tristeza.
Depois baixou o cortinado, e deixando a idéia adormecida, fechou para
sempre a porta.
Marina Colasanti